Os modelos de processamento da informação, na Psicologia Cognitiva, referem-se à capacidade de perceber, interpretar e utilizar novas informações, vinculá-las a conhecimentos prévios, armazená-las na memória de longo prazo e então, evocá-las quando necessário. Os vários processos de memória podem ser compreendidos em três fases: codificação, armazenamento ou consolidação, e recuperação.
A fase de codificação ocorre no momento da aprendizagem, conforme a informação é percebida e manipulada. Isto é, o cérebro transforma a informação em um código neural. A fase de armazenamento é a retenção do registro do código. Conexões neurais se fortalecem e novas sinapses são construídas. Esse processo é conhecido como consolidação neural. Por meio da consolidação, a informação codificada é guardada. Existem pelo menos três sistemas de armazenamento, que diferem na quantidade de tempo em que as informações permanecem consolidadas. A recuperação é a terceira fase da memória. Essa fase consiste em procurar memórias armazenadas e trazer à consciência quando for necessário um conhecimento previamente codificado e armazenado.
Os três tipos de memória (conforme o tempo)
Memória sensorial
A memória sensorial apreende informações do ambiente através dos sentidos, permitindo que o cérebro filtre o que é considerado importante. O processamento eficaz de informações depende da atenção seletiva, permitindo que as pessoas foquem em informações relevantes em meio a distrações. Durante essa fase, o cérebro decide quais informações são importantes e quais não são. Essa seleção pode ser involuntária e inconsciente ou consciente e deliberada. A memória sensorial visual é chamada de memória icônica. A memória sensorial auditiva é chamada de memória ecoica. A integração das memórias sensoriais nos possibilita experimentar o mundo como um fluxo contínuo, em vez de sensações distintas.
Memória de curto prazo
A memória de curto prazo não é apenas um sistema de armazenamento. Em vez disso, é uma unidade que processa vários tipos de informações no momento atual. Ela mantém as informações disponíveis em determinado momento e possui capacidade limitada. As pessoas alocam mais recursos cognitivos para as tarefas mais importantes, e os recursos atencionais são limitados, portanto, a memória de curto prazo depende do uso eficiente desses recursos.
A memória de trabalho retém e manipula ativamente várias porções de informações temporárias de diferentes fontes (Baddeley, 2002). O psicólogo cognitivo George Miller (1957) observou que o limite da memória geralmente é de sete itens — valor chamado de extensão da memória. O processo de quebrar a informação em unidades significativas é conhecido como recordação em blocos: quanto mais eficiente a formação de blocos, mais facilmente a informação é lembrada. A capacidade de recordação também depende da ordem de apresentação — o efeito da posição na série une o efeito de primazia (itens do início) e o efeito de recenticidade (itens do final).
O processamento da informação também pode acontecer em série ou em paralelo. O processamento serial ocorre quando processamos apenas um conteúdo por vez, de forma sistemática e gradual. O processamento paralelo ocorre quando mais de uma tarefa de processamento ocorre simultaneamente.
O Modelo de memória de trabalho de Baddeley (1974) descreve a memória de trabalho como um sistema de múltiplos componentes: o executivo central, a alça fonológica e o bloco de notas visuoespacial. O executivo central coordena e controla o uso da memória de trabalho, a resolução de problemas, a atenção e a organização de tarefas. A alça fonológica gerencia as palavras faladas e escritas. O bloco de notas visuoespacial gerencia as imagens visuais e relações espaciais.
Memória de longo prazo
A informação pode ser transferida da memória de curto prazo para a memória de longo prazo por meio da qualidade do processamento de memorização e pela repetição. A memória de longo prazo consiste no armazenamento relativamente permanente de informações. Quanto mais vezes uma ação é praticada repetidamente, mais fortalecida se torna a recordação de executá-la. As memórias também são fortalecidas com a recuperação, de modo que uma maneira de torná-las duráveis é praticar a recordação. O armazenamento também se baseia na relevância do significado e em redes de associação. Em geral, as informações sobre um ambiente que contribuem para nossa sobrevivência e adaptação são mais suscetíveis à transformação em memória de longo prazo.
Sistemas de memória (conforme o tipo de conteúdo)
Há duas maneiras pelas quais o cérebro adquire e armazena informações: a memória procedural (implícita) e a memória declarativa (explícita).
A memória implícita, procedural ou motora, armazena dados relacionados à aquisição de habilidades mediante a repetição de uma atividade que segue sempre o mesmo padrão. Nela se incluem as habilidades motoras e sensitivas, bem como toda forma de condicionamento. A capacidade, uma vez adquirida, não depende da atenção ou consciência.
A memória explícita é um processo consciente, que armazena e evoca informação de experiências vividas, fatos e dados levados ao nosso conhecimento através dos sentidos e de processos internos do cérebro, como análise e associação de dados, dedução e criatividade. Quando se trata de fatos vivenciados pela pessoa, a memória é classificada como memória episódica; quando se trata de informações adquiridas pela transmissão do saber de forma escrita, visual e sonora, a memória é classificada como memória semântica.
Esquecimento & amnésias
O esquecimento é uma falha transitória na retenção ou na evocação das informações armazenadas na memória. Ele pode estar relacionado com interferências internas ou externas, e também à desatenção, que implica em uma codificação superficial de informações, ou ainda na incapacidade temporária de lembrar algo por algum bloqueio emocional, como mecanismo de defesa, resultado de dissociações psicológicas traumáticas.
A ansiedade, o uso excessivo de telas e, em muitos casos, a depressão, também são fatores que alteram a capacidade atencional e, como consequência, podem dificultar a retenção de novas informações e a recuperação de outras anteriormente armazenadas.
Já a amnésia é uma entidade patológica provocada por diversas causas em que o indivíduo apresenta déficits na memória de longo prazo. As amnésias podem ter caráter transitório ou permanente. Na amnésia anterógrada, o indivíduo perde a capacidade de reter informações novas; e na amnésia retrógrada, de evocar memórias antigas.
Referências
- Gazzaniga, Michael S.; Heatherton, Todd F. (2017). Ciência Psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed.
- Matlin, M. W. (2004). Psicologia cognitiva. Rio de Janeiro: LTC.
- Sternberg, R. J. (2008). Psicologia cognitiva. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas.






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