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Emoção

As emoções são processos psicobiológicos dinâmicos que envolvem mudanças coordenadas nos sistemas fisiológico, comportamental, experiencial e cognitivo, desencadeadas por estímulos que representam relevância ou valor.

As emoções são processos psicobiológicos dinâmicos que envolvem mudanças coordenadas nos sistemas fisiológico, comportamental, experiencial e cognitivo, desencadeadas por estímulos internos ou externos que representam relevância ou valor. Embora frequentemente apresentem início rápido e duração relativamente breve, as emoções podem variar em intensidade e temporalidade. Em geral, são dirigidas a um objeto ou evento específico e exercem função adaptativa ao preparar o organismo para a ação. Por exemplo, sentir medo diante de uma ameaça mobiliza respostas autonômicas e comportamentais imediatas que aumentam as chances de proteção.

É importante distingui-las de sentimentos e estados de humor. Os sentimentos correspondem à experiência subjetiva e consciente da emoção, isto é, à forma como a pessoa percebe e interpreta suas alterações corporais e o significado atribuído à situação. Assim, após a perda de uma pessoa querida, a emoção de tristeza pode se manifestar por choro, aperto no peito, dificuldade de dormir e retraimento; o sentimento seria a consciência dessa experiência mais completa e mais duradoura.

Já os estados de humor são estados afetivos ainda mais duradouros, difusos e menos direcionados a um objeto específico. Diferentemente da emoção de tristeza circunstancial após um evento concreto, o humor deprimido, por exemplo, caracteriza-se por uma tonalidade afetiva persistente, que pode durar semanas ou meses, nem sempre vinculada a um gatilho claramente identificável (como ocorre nos quadros depressivos).

Do ponto de vista teórico, muitos modelos descrevem a emoção como composta por componentes inter-relacionados: (1) respostas neurofisiológicas e autonômicas, (2) tendências à ação e expressões comportamentais, e (3) processos cognitivos de avaliação e significação. Na neurociência afetiva, essas dimensões envolvem a interação entre estruturas como amígdala, ínsula, córtex cingulado anterior e regiões pré-frontais, refletindo a integração entre processos bottom-up e top-down.

As emoções também podem ser descritas em termos de valência (positiva ou negativa) e nível de ativação (arousal). Além disso, alguns modelos distinguem emoções consideradas “básicas” — como medo, raiva, tristeza, alegria, nojo e surpresa, frequentemente associadas a padrões relativamente universais de expressão e função adaptativa — de emoções mais complexas ou autoconscientes, como culpa, vergonha e orgulho, que dependem de maior elaboração cognitiva e de processos sociais e culturais.

Modelo Circumplexo

O modelo circumplexo apresenta as emoções a partir de um espectro contínuo circular organizado pela valência (positiva ou negativa) e pelo nível de arousal (ativação neurofisiológica): de mais calmo ou relaxado a muito excitado ou ativado.

Modelo circumplexo da emoção, organizado por valência e nível de ativação (arousal)
Modelo circumplexo da emoção (Gazzaniga, 2017).

As três teorias clássicas da emoção

Teoria de James-Lange

Propõe que a emoção resulta da percepção das alterações corporais desencadeadas por um estímulo. Ou seja, não choramos porque estamos tristes; sentimos tristeza porque percebemos que estamos chorando e que nosso corpo mudou. Segundo essa perspectiva, as respostas fisiológicas e expressivas precedem a experiência emocional consciente, e a emoção corresponde à interpretação dessas mudanças somáticas. Uma implicação derivada dessa ideia é que a modulação da expressão corporal, como na hipótese do feedback facial, pode influenciar a experiência emocional.

Teoria de Cannon-Bard

Surge como crítica a essa posição. Cannon argumentou que as respostas corporais são relativamente inespecíficas e lentas para explicar a diversidade das emoções, além de que diferentes emoções podem compartilhar padrões fisiológicos semelhantes. Ele propôs que, diante de um estímulo emocional, o tálamo (na formulação original) enviaria simultaneamente sinais ao córtex (produzindo a experiência subjetiva da emoção) e ao sistema nervoso autônomo (produzindo as respostas fisiológicas). Assim, emoção e ativação corporal ocorreriam de forma paralela, e não em sequência causal.

Teoria dos Dois Fatores de Schachter-Singer

Introduz explicitamente o papel da avaliação cognitiva. Segundo esse modelo, a emoção resulta da combinação entre (1) ativação fisiológica e (2) um rótulo cognitivo atribuído com base no contexto. A ativação corporal seria inicialmente inespecífica, e a interpretação situacional determinaria qual emoção está sendo experimentada. Por exemplo, um aumento da frequência cardíaca pode ser interpretado como medo ou excitação, dependendo das pistas ambientais. Essa teoria foi fundamental para consolidar a importância dos processos cognitivos na compreensão das emoções.

Funções das emoções

As nossas emoções fornecem informações sobre a relevância dos estímulos que experienciamos e nos respaldam na tomada de decisão para ações que visem alcançar nossos objetivos. As emoções também são adaptativas, pois se adequam às nossas necessidades e objetivos sociais, à cultura e ao meio em que estamos inseridos. Elas nos guiam para aprender as regras sociais e são necessárias para vivermos cooperativamente em grupos. As normas de expressão são aprendidas por meio da socialização e ditam quais emoções são adequadas a situações específicas. Emoções de natureza interpessoal, como a culpa e o remorso, por exemplo, são particularmente importantes para a manutenção e reparação das relações interpessoais próximas.

As emoções como marcadores somáticos

Entre as teorias que destacam a influência das emoções sobre o raciocínio e a tomada de decisão, destacamos a Teoria do Marcador Somático, proposta pelo neurocientista António Damásio. Segundo esse modelo, decisões não são guiadas apenas por análise lógica, mas também por sinais corporais associados a experiências passadas. Esses sinais, chamados marcadores somáticos, funcionam como atalhos emocionais que orientam a escolha entre alternativas, especialmente em situações complexas ou incertas.

Os marcadores somáticos correspondem a padrões de respostas fisiológicas previamente associados a consequências positivas ou negativas. Quando uma situação semelhante é vivenciada novamente, esses estados corporais são reativados (mesmo que de forma sutil), influenciando a avaliação das opções disponíveis. Damásio observou que pacientes com lesões no córtex pré-frontal ventromedial apresentam dificuldades importantes na tomada de decisão, apesar de manterem o raciocínio lógico preservado, pois perdem a capacidade de integrar adequadamente o valor emocional das experiências passadas às decisões futuras.

Referências

  • Gazzaniga, Michael S.; Heatherton, Todd F. (2017). Ciência Psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed.
  • Matlin, M. W. (2004). Psicologia cognitiva. Rio de Janeiro: LTC.
  • Sternberg, R. J. (2008). Psicologia cognitiva. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas.

Materiais Complementares

Livros

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António Damásio

Emoção, razão e o cérebro humano

Para pensar bem e tomar decisões corretas é preciso afastar todos os sentimentos e emoções, certo? Errado. Neste livro, o neurologista António Damásio mostra como, na verdade, a ausência de emoção e sentimento pode suprimir a racionalidade. O autor desafia os dualismos tradicionais do pensamento ocidental — mente e corpo, razão e emoção, explicações biológicas e culturais — para oferecer uma visão científica e integrada do ser humano e sugerir hipóteses surpreendentes sobre o funcionamento do cérebro humano.

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António Damásio

As origens da consciência

O autor revisita sua teoria sobre os marcadores somáticos — que transformou nossa compreensão a respeito do cérebro e do comportamento humano — e aborda as últimas novidades científicas para explicar por que ser consciente não é o mesmo que sentir; por que os sistemas nervosos são essenciais para o desenvolvimento dos sentimentos; e por que os sentimentos estão diretamente relacionados à consciência.

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Emocional

Leonard Mlodinow

A nova neurociência dos afetos

O que é a emoção? Como nossas ideias sobre os sentimentos evoluíram? Como regular as emoções para utilizá-las a nosso favor? Estas são as grandes questões abordadas em Emocional, do físico Leonard Mlodinow, que nos orienta por uma novíssima área de pesquisa: a neurociência afetiva. O autor mostra o quanto essa revolução científica tem implicações significativas também na vida cotidiana, no tratamento de doenças, na compreensão das relações pessoais e em nossa percepção a respeito de nós mesmos.

Capa de O cérebro emocional

O cérebro emocional

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Os misteriosos alicerces da vida emocional

O nosso dia a dia é uma soma de emoções diferentes que nos dominam, aparentemente, de forma inexplicável. O que acontece em nossos cérebros quando somos dominados por uma grande emoção? É possível atuar sobre nossos sentimentos e regular nossas emoções? Neste livro, Joseph LeDoux apresenta um olhar clínico sobre a natureza e origem das emoções.

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Inteligência Emocional

Daniel Goleman

A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente

Segundo Goleman, a consciência das próprias emoções é um fator essencial para o desenvolvimento da inteligência. Ele descreve cinco habilidades fundamentais para a inteligência emocional e mostra como elas influenciam nosso êxito nos relacionamentos, no trabalho e até no nosso bem-estar físico.

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A expressão das emoções no homem e nos animais

Charles Darwin

Esse livro inaugura o estudo dos aspectos biológicos do comportamento, uma das vertentes das neurociências. Darwin demonstra que os animais também sentem emoções, manifestadas por meio das expressões, que ele examina e explica do ponto de vista de sua funcionalidade no processo de adaptação do indivíduo ao meio. Ele também defende que algumas de nossas expressões são resquícios herdados de antepassados primitivos, comuns ao homem e a outros animais, e que muitas de nossas expressões são inatas e não aprendidas, já que se repetem em homens das mais variadas culturas.

Sites & Reportagens

Documentários & Filmes

Pôster de Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are)

Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are)

O filme conta as aventuras de um garoto chamado Max, que após uma crise de ciúmes e raiva, bagunça a casa, briga com sua irmã e sua mãe, e foge de casa. Através da imaginação, ele navega para uma ilha habitada por criaturas selvagens, que declaram o menino um rei. A partir de então, ele precisa aprender a lidar com o caos gerado por criaturas imaturas e desenfreadas, como também são as suas próprias emoções.

Pôster de Divertidamente (Inside Out)

Divertidamente (Inside Out)

Crescer pode ser uma jornada turbulenta, e com Riley, a protagonista dessa história, não é diferente. Conforme ela e suas emoções — Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza — se esforçam para adaptar-se a uma nova vida, uma enorme agitação toma conta do centro de controle em sua mente. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflitos, às vezes muito divertidos, sobre a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola.

Pôster de Divertidamente 2 (Inside Out 2)

Divertidamente 2 (Inside Out 2)

Divertidamente 2 retorna à mente da adolescente Riley, e o faz no momento em que a sala de comando está passando por uma transformação repentina para dar lugar a algo totalmente inesperado: novas emoções. Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho não sabem como reagir quando Ansiedade aparece — e tudo indica que ela não está sozinha.

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